sábado, 10 de maio de 2014

A arte de saber cuidar

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O universo sentimental de qualquer pessoa é o reflexo do que absorve no decorrer de sua infância. Assim, se uma criança recebe amor na medida certa, será um adulto mais afetuoso e mais bem preparado para a vida. O contrário também é verdadeiro, ou seja, se ela não é amada, dificilmente saberá amar. Mas, afinal de contas, qual é a dose certa do amor?

Desde os primeiros passos até a conquista da independência de um indivíduo é de suma importância a participação e interação entre pais e filhos.Vivemos uma vida agitada, estressante e, em muitos casos, nossas relações são superficiais, o que afeta profundamente a qualidade da nossa convivência. É preciso, antes de tudo, ter cuidado no cuidar. Ausências constantes e desatenção na primeira fase da vida podem gerar sérias consequências no futuro, já que transmitiremos somente aquilo que recebemos.

“Fundamental é mesmo o amor”, diz o verso da bela canção Wave de Tom Jobim. Realmente, não é possível, pelo menos para a grande maioria das pessoas, existir sem este sentimento tão imensurável que se apresenta de várias formas, tais como respeito, solidariedade, amizade. Se algo fora do normal acontece durante a formação do caráter de uma criança, como um ato de violência, por exemplo, essa base se perderá e será difícil recuperá-la. É muito tênue a linha que separa o bom e o ruim dentro de cada um.

Todo mundo/ou quase todo mundo quer ser feliz, encontrar alguém, constituir uma família e viver em paz. Contudo, a realidade não segue um roteiro com começo, meio e fim como um filme de amor. Uma vida perfeita é ilusão. A condição humana não permite tal feito. Porém, pode-se alcançar a tão sonhada felicidade em vários momentos da vida, mas para isso há que se estar bem consigo, tarefa difícil para quem trás no coração o vazio deixado pelo desamor.
O amor em demasia, aquele no qual há o exagero na proteção, torna as pessoas frágeis e dependentes, ao passo que a falta dele as torna inseguras e amargas. É preciso buscar o equilíbrio nas relações. Ainda que seja difícil, devido as incertezas do caminho, não é impossível. Saber dar liberdade ou dizer não no momento certo denota o verdadeiro sentido deste sentimento tão necessário para nossa existência.





quarta-feira, 7 de maio de 2014

Televisão: espelho do telespectador?

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Os programas de TV são pautados a partir da "vontade" da audiência. O público é o termômetro. Se não tem quem vê, não tem por que mostrar.

O filme "Heroi por Acidente" coloca em pauta uma discussão interessante: a forma como a mídia se apropria da realidade e o modo como o público reage diante disso. De um lado está a busca desenfreada pela audiência, do outro, pessoas sedentas por histórias que as façam sentir algo que as tire de suas rotinas. Pode ser indignação, admiração, encantamento. Estes dois últimos sentimentos envolvem a película em questão ao trazer a mensagem do heroi. 

Na verdade, trata-se da construção de um heroi. As pessoas gostam de herois. A impressão que dá quando se tem uma discussão como esta é a de que os telespectadores se sentem bem quando enganados. Têm prazer em criar, inventar realidades com a ajuda dos meios de comunicação. Neste caso, a TV é mais poderosa do que outros veículos. Ela conta uma história, o povo acredita. Mesmo quando a televisão não inventa o que veicula é uma construção, porque o que é apresentado é feito de recortes, de enfoques muito bem pensados. Mas se a TV mostra é porque tem quem vê e gosta de ver.

Há na audiência (público) uma necessidade de projetar seus sonhos, ambições, frustrações, raiva no outro, no personagem, como se suas vidas fossem desprovidas de sentido ou importância. É aqui que está a questão central desta discussão: as pessoas se veem nos personagens de TV, sejam eles reais ou não. E os produtores, os donos do jogo, sabem disso. E se aproveitam. E aí não tem mais volta. O que foi mostrado não será apagado. Nem a TV nem o povo voltará atrás. 

No filme, quando a ambiciosa repórter Gale Gayley, que é capaz de tudo por uma matéria impactante, descobre que, na realidade, o heroi não é quem diz ser, ela percebe que o melhor é deixar tudo como está. É assim que funciona a mídia. Afinal, quem mais sairia perdendo, se a verdade viesse à tona? O personagem criado? O público? Ou a TV? Certamente a televisão. Porque o que entra em cena nesse momento é a credibilidade e a ética. Mas será que admitir um erro de apuração, um erro grave como esse seria tão prejudicial assim para ambos os lados? Pelo visto sim. Melhor maquiar, passar por cima e continuar na busca incessante de outros personagens, novas histórias que despertem sentimentos bons ou ruins nas pessoas, mas que continuem colocando a audiência nas alturas. Infelizmente, é isso que importa em um mundo cheio de gente que prefere ser conduzida a questionar, que precisa de herois e vilões para sentir que a vida não é vã. Mesmo que tudo não passe de invenção, pura e simples. 


Sinopse 

O filme, dirigido por Stephen Frears, conta a história de Bernie Laplante, papel de Dustin Hoffman, um homem aparentemente nada amigável com problemas na justiça, divorciado e pai de um menino de 10 anos, que um dia salva 54 passageiros, vítimas de uma acidente de avião. No meio da confusão ele perde um pé de sapato e desaparece. A repórter de TV Gale Gayley, intrepretada por Geena Davis, é uma das pessoas salvas por Laplante. A fim de descobrir a identidade de seu heroi e com isso produzir uma grande reportagem, ela e o canal onde trabalha oferecem um milhão de dólares a quem encontrá-lo. Acontece que Bernie doou o sapato que restou para um desabrigado chamado John Bubber - Andy Garcia -, um homem bonito e carismático, que se apresenta como o tal heroi anônimo para embolsar o dinheiro, mas acaba conquistando o coração de toda a cidade.

domingo, 27 de abril de 2014

Artigo sobre o filme "O povo contra Larry Flynt"

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As questões discutidas no filme "O povo contra Larry Flynt" no contexto da sociedade norte-americana da década de 1970, sempre existiram e sempre existirão em qualquer tempo; e cenário social. Conservadorismo, valores morais, liberdade de imprensa e de expressão são assuntos que geram muita polêmica quando vêm à tona. 

O mundo, na verdade, está impregnado de moralidades, muitas vezes, falsas. Em toda parte, seja nos Estados Unidos, no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, há grupos sociais organizados, dispostos a julgar e condenar atos que consideram fora dos padrões "normais", aprendidos ao longo da vida. O problema é que esses valores, quase sempre, só existem nos discursos hipócritas de pessoas que preferem esconder o que realmente são a revelar-se. 

A pornografia, no caso do filme, o sexo, a falta de pudor em relação ao tema é o grande "pecado" que fere profundamente as "pessoas de bem". Indivíduos que seguem uma religião, que têm princípios. Ora, mas isso são coisas que todo mundo pratica, então por que condenar? Talvez se as ações fossem mais claras, se a liberdade fosse algo real, as sociedades pudessem ser menos "fingidas", mascaradas. 

Em outra ponta, está a liberdade tanto de expressão como de imprensa. Elas devem existir sob qualquer condição. Os limites deveriam ser parte do bom senso de cada ator social. Porém, os exageros, aqueles que realmente ferem deveriam ser punidos com leis severas desde que não interfiram no direito de falar, opinar, criticar das pessoas.

O homem é um ser contraditório. Ele condena, mas também faz. Ele julga o outro, mas esconde que no fundo age igual ou pior. Ao apontar os erros desse outro, ele encobre os seus e sente-se aliviado de não ser ele o réu da vez. 

Hoje, mesmo com toda a internet e o livre acesso aos produtos inclusive os sexuais dentro do universo virtual, o escândalo como o de Larry Flynt ainda provocaria grandes embates e caçadas "às bruxas", indivíduos que ousam mostrar o que a maioria oculta. O homem de qualquer sociedade, de qualquer época será sempre o mesmo, assim como suas ações.

Sinopse: 
O filme "O povo contra Larry Flynt" narra a história do empresário Larry Flynt, o homem que explicitou o mundo da pornografia por meio de sua revista Hustler, para uma conservadora sociedade norte-americana, da década de 1970. Flynt construiu um verdadeiro império, mas teve que lutar muito para vencer as muitas batalhas judiciais que se levantaram contra ele. Acabou sofrendo um atentado que o deixou paraplégico.